Iluminada e Cheia Renatha

Contar nossa história, por escrito, ligando a fase da lua com escalada e ser mulher exigiu 3 versões desse texto.

Mamãe sempre dizia que a mulher muda. Mudamos mesmo. A mulher que você é hoje não é a mesma de 3 anos atrás; e a de hoje não será a mesma daqui uns meses. Mudamos como a lua muda.

No momento, eu me encontro na minha melhor lua cheia. Uma lua que comporta todo o seu brilho, que ilumina lugares escuros, que se mostra, que não passa despercebida, aquela fase da lua que a gente passa mais tempo admirando.

Meu nome é Renatha Choairy, tenho 34 anos, virginiana, mãe do Moisés de 12 anos, artista circense, yogui, intérprete, dançarina e escaladora.

A escalada me encontrou em Cocal numa tarde na Casa da Cobra. A partir dali, senti algo pulsar, algo grande: eu descobri que eu amava esse contato físico com a natureza. E isso foi só o começo; o domínio do corpo e a consciência corporal refletem no domínio da mente e na consciência de si como ser humano mortal, vulnerável e efêmero.

Já passei por muitas buscas ao longo da vida, tenho muito conhecimento de astrologia, numerologia, tarô, mas a escalada colocou prática e não teoria. Desescalei diversas vezes. A escolha foi consciente: a escalada passou a tomar muito do meu tempo mental, pois eu só pensava em ir pra pedra, cadenar, passava a semana toda ansiosa e, pra “piorar”, eu morava numa república com outros escaladores.

Às vezes eu jogava um planejamento semanal para o alto, deixava meu filhote na casa da minha mãe, e, como quem deixa ciente a panela de pressão ligada em casa, eu passava a noite inteira descarregando minha sede de boulder. Um dia, fui chamada na escola do meu filho, ele estava indo mal. E essa foi a primeira vez que parei. Parece até papo de viciado, mas acho que esse sentimento é generalizado, qual escalador nunca sentiu isso?

Para mim, essas interrupções foram de extrema importância, pois eu nunca voltei do mesmo jeito. Sair de cena da escalada me permitiu vivenciar outras coisas de forma tão intensa quanto o climb.

No momento eu não estou escalando. Primeiramente porque moro na praia e não há serras próximas. Por outras dezenas de motivos, meu foco agora está em outros movimentos que minha vida precisa levar, segundo minha intuição sobre meu destino.

Mesmo assim, já tenho presença confirmada no Eene e outros combinados de viagem de climb com as amigas! Assim, a escalada não é a minha vida, mas é parte dela. Eu a coloquei num lugar de destaque junto com outros esportes que pratico e que também estão presentes no meu cotidiano.

Há 1 ano, eu saí da minha cidade depois de deixar meu filhote com o pai em São Paulo. Essa foi uma experiência linda, um dia conto com detalhes como foi passar 11 anos cuidando da cria e vê-la ir passar um tempo de experiência com o pai numa cidade diferente.

Devolvi o apartamento, vendi minhas coisas, enfiei no carro uns equipos de escalada, tecido acrobático, meia dúzia de malas e rodei mil km sozinha até a Chapada Diamantina. Foram 6 meses naquele lugar maravilhoso, entre Ibicoara, Mucugê e Igatu.

Escalei nos picos mais lindos, entrei em trilhas antigas e achei dezenas de vias mistas, chapeletadas no Setor da Raposa (Ibicoara), local que há tempos ninguém escala, entre outras experiências de aberturas de vias em Mucugê e, claro, indiscutivelmente, os milhares de boulders em Igatu que matavam a sede da boulderista aqui.

Foram meses de imersão em mim, na natureza, nos esportes, na vida simples.

O verão chegou e fui atraída pelo barulho das ondas do mar, pela vida praiana. Cá estou eu: Caraíva. Nesse 1 ano longe da minha cidade, percebi o que realmente significa estar “longe”; na verdade, a relação com as pessoas que mais amo aumentou consideravelmente.

Muitos amigos e amigas me perguntam se agora eu vou ficar em Caraíva. Essas perguntas subversivas me levam a questionar esse sistema que a gente vive, e que a escalada também nos interroga incessantemente. Para respondê-las (não para os outros, mas para mim mesma), é importante que eu esteja alinhada com os meus anseios de vida, com o que almejo para meu futuro, ajustando a qualidade de vida às minhas buscas atuais.

O que quero dizer é que existem perguntas que nos impõem um “pra sempre” que não existe.

O que existe é um estado de coisas, sentimentos, vontades, sonhos, que é passageiro e que a Deusa não nos agraciou com o poder de saber quanto tempo elas levam para começar e acabar.

Eu estou uma bela duma lua cheia! Tempo de extroversão, batom vermelho, risadas. Em outros momentos, uma lua cheia de expansão interna dentro do meu quarto, com meus livros e vinho, com as músicas que gosto, dançando sozinha, testando e criando-me artisticamente.

Eu adoro refletir na dualidade de cada fase da lua. Sabe que depois que comecei a morar mais perto da natureza, tanto na Chapada quanto em Caraíva, eu passei a ter um contato maior com a lunação simplesmente porque eu a vejo todos os dias. É algo natural, ela está lá, não há prédios, luzes de cidade e outras coisas para me chamar a atenção.

A tábua das marés também muda e esse contato com maré baixa/alta depende muito da lua que está no céu. É uma mudança difícil de acompanhar, mas me ensina muito porque além de sentir a presença dela, eu a vejo agir.

A lua cheia deste 18 de maio cai na mesma data de comemoração do nascimento, iluminação e morte de Buda, Vesak! É o momento especial para tomar nossos ensinamentos (Dharma) como um grande legado e seguir ao encontro da iluminação, pois todo corpo um dia vai se desintegrar, mas a alma continuará sua busca.

A lua cheia está em Escorpião, oposto complementar do Sol em Touro! Se são opostos que se complementam, então precisamos pensar em equilíbrio. Sol em Touro é armazenamento, estabilidade. Lua em Escorpião é inteligência emocional, instintividade.

É hora de sentar e conversar consigo sobre os caminhos que se toma (ou já tomou), aceitar opiniões de amigos e entender que tá tudo bem descobrir que não se está onde gostaria, mas que, agora que esse conhecimento veio à consciência, quais serão as pequenas ações diárias para mudar essa realidade?

É uma reflexão profunda, e de forma alguma eu terminaria o texto sem deixar as leitoras do Des com uma pergunta gostosa como essa coçando a orelha!

Para iniciar essa análise de si mesma, eu te dou um conselho: comece uivando bem forte, bem alto, junte sua matilha e uive nessa lua cheia!! Aaauuuuuuuuuuuuuuu…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: