Ouvir, sentir, construir

O que você escuta? O que você escreve?

Somos um espaço de escrita, estimulando a materialização do verbo e a multiplicação dos entendimentos.

A música é ferramenta disso. A poesia também. Os posts do Instagram. Os textos do nosso blog.

Falando de música, é polêmica na pedra. Barulho? Inspiração? Vibe? Identidade?

Não vamos discutir aqui se pode ou não pode. Se atrapalha ou ajuda. Via ou Boulder? Não é o motivador desse texto.

Vamos falar de interseccionalidade na Escalada.

Interseccionalidade é uma conceituação do problema que busca capturar as consequências estruturais e dinâmicas da interação entre dois ou mais eixos da subordinação. Ela trata especificamente da forma pela qual o racismo, o patriarcalismo, a opressão de classe e outros sistemas discriminatórios criam desigualdades básicas que estruturam as posições relativas de mulheres, raças, etnias, classe e outras (…) (CRENSHAW, 2002, p. 177).

Putz… Mas peraí! Que complexo isso!

Recentemente acompanhamos um debate sobre a violência contra as mulheres na escalada. Foi criada a campanha #MontanhismoContraaViolenciaFeminina e #MontanhismoContraoMachismo (montanhismoscontraomachismo@gmail.com) e um banco de dados sobre casos de violência no esporte que futuramente será insumo para a construção de ações em prol da integridade das mulheres no climb.

Com esse debate outras questões vieram à tona como a homofobia, o rascismo e claro, o sexismo. Está tudo conectado.

Mas o assunto não era música?

Sim. Uma música em específico: Elevação Mental – Triz.

Segue trecho da letra:

Caneta e papel na mão pra mim é melhor que remédio. Enquanto eu vou escrevendo não sobra espaço pro tédio. Aonde eu vou parar não sei, eu tô pensando a mais de um mês. E o que eu tenho visto eu vou falar pro “seis”. É tanta arrogância, tanta prepotência. A sanidade tá escassa no mundo das aparências. Não se cale jamais diante do opressor. Não deixe que o sistema acabe com seu amor.

A música é ferramenta poderosa de luta. A escrita também. E sabemos das nossas lutas diárias e que elas estão também relacionadas à prática da Escalada. A busca por respeito no esporte; pelo fim de comportamentos abusivos e depreciativos relacionados inclusive à graduação de problemas e batismos de linhas de escalada.

Então sejamos letra pra representar nossa força. Tão letra quanto músculo. Tão poesia quanto técnica. Tão texto quanto resista. Porque nossa escalada quebra limites físicos. Somos a leveza segurando regletes. Somos a invisibilidade tomando forma. Construção do feminino na pedra pra desconstruir estrutura sólida e maquiada de plenitude. Nem sempre é pleno.

Quer falar? Vem com a gente! A Escalada versa sobre muito mais coisas do que você imagina!

Referência: Interseccionalidade no esporte: reflexões sobre o estudo com as árbitras de futebol e o método corpo-experiência.

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