Confia!

Por seis anos ou mais eu tomei anticoncepcional de forma contínua. Não queria menstruar. Ao contrário das mães que conheci, depois da gravidez descobri a cólica e logo fugi da dor que eu considerava insuportável. Achava o máximo não ter ciclo. Era muito melhor do que os “leves” sintomas da bomba de hormônios que eu tomava diariamente.

De uns três anos pra cá (não lembro ao certo) eu resolvi parar. Motivação específica eu não tive. Quem sabe observar se as cólicas ainda estava lá? Não me lembro. Mas parei e esse foi o primeiro passo desse caminho de autoconhecimento que venho trilhando e que de fato me trouxe até a criação e compartilhamento desse blog.

Falar de ciclo menstrual é pessoal demais. Acreditem!

Lembro que a primeira percepção que tive foi com a corrida. Treino com uma assessoria de corrida em trilhas e na época fazia o treino coletivo de sábado e depois nos encontrávamos na terça seguinte. Lembro de correr em algumas terças como se não houvesse amanhã! Voando! Em outras, pesava uma tonelada. Arrumava umas desculpas como: tô há dois dias sem correr; ontem corri e hoje tô cansada… até que alguém ou a Prof. Camila (uma mulher, com certeza) falou pra eu observar meu ciclo menstrual.

Blz. Vou prestar atenção nessa parada aí.

E prestei. Na escalada. Mas não foi bem no meu ciclo… foi na Lua.

Percebi que ficava mais forte na Lua Cheia. Lobisomem Marília foi o apelido carinhoso que recebi (risos). Descobri também que minha menstruação era sempre também na Lua Cheia (Ciclo da Lua Vermelha). Então bora fazer força! Não sabia o que era cólica e as cadenas costumavam sair nessa fase!

Passei um ano me observando assim. Até me despertar para as outras três fases da lua, uma de cada vez. E fui transitando por elas inconscientemente, como alguém que decide pegar na sua mão e te levar pra uma vivência real de processos, porquê de teoria a vida tá cheia.

Fui pra Lua Crescente. Tive três meses de observação dessa fase. Foi de boas. Teve cadena do primeiro v5 e a descoberta de uma das frases mais importantes da minha vida: não tome pra si o que não é seu.

Depois veio a Lua Nova (Ciclo da Lua Branca). O caminho “natural” de quando o período fértil da mulher e da Lua estão sincronizados. Eu odiei! Não era eu. Voltei a sentir cólicas e ficar recolhida. Não conseguia fazer atividades físicas que não estivessem relacionadas ao meu sofá, chá e cobertor. Cheguei a ser radical na minha rejeição aos sintomas. Pedia pro meu útero (yes baby, eu converso com ele) pra mudar essa parada! Mas aceitei e aprendi.

Por fim, a Lua Minguante. Que fase louca de diversão. Voltei a me sentir forte durante a menstruação e a não sofrer com os processos de autoconhecimento. Entendam, quando eu menstruava na Lua Nova eu sofria em dobro (Lua Minguante de TPM e Lua Nova com cólicas). A mudança, mesmo que para a Minguante, já me trazia alegria e pontada de esperança de retornar para a Lua Cheia.

Mas isso tudo trouxe outros questionamentos. Estou tão conectada com as fases da lua (da minha maneira), observando minhas atividades esportivas, mas e meu estado biológico de ser? O que tá acontecendo com meu corpo nessas fases? Como posso trabalhar esses dois aspectos em prol dos meus objetivos com a escalada?

Fui ler e já adianto que é confuso. Aceito ajudas, dicas e compartilhamentos.

Nosso ciclo basicamente é moldado por níveis de hormônios que influenciam em nosso comportamento. Dois deles são os mais falados: estrogênio (estrógeno) e progesterona. O primeiro está relacionado às características físicas de nós mulheres; e o segundo, prepara o útero para receber o óvulo (resumão de quem não é especialista no assunto).

Tá bom! Esses dois são a questão maior. E eles vão passeando por nós durante nosso ciclo, simploriamente dividido em 3, 4 ou 5 fases, a depender do artigo no Google que você escolheu pra ler.

A primeira fase é a Folicular ou Menstrual. O estrogênio começa a chegar na parada e naturalmente ouvimos que é o momento de ficarmos quietas. Sentir a cólica. Pegar leve nos treinos mas sem parar 100%. Ficar parada nunca é opção!

Depois vem a segunda fase, Pós-menstrual. O estrogênio tá aumentando ainda. A gente se sente mais motivada. Forte. Resistente. Existe uma tolerância em relação a dor. Menor apetite. Menos gasto calórico. Maior uso de carboidrato como fonte de energia (isso me ajudou a entender meus momentos low carb ou high).

A terceira fase é a Ovulatória. É o nosso período fértil (guarda isso pra quando falarmos de ciclos da lua branca ou vermelha). O estrogênio começa a diminuir e a progesterona aumentar. É pra sentir uma maior fadiga muscular? E a força e coordenação? Ainda estamos resistentes a dor? Talvez um pouco mais de fome. Pouco gasto calórico. Eu descobri, por exemplo, a cólica da ovulação há dois meses. Nunca tinha sentido antes. Processos de observação.

Seguimos para a quarta fase, Pós-ovulatória (Luteínica). Mais progesterona. Uso de gordura como fonte de energia. Mais fome e gasto calórico. Mais força e intensidade (se liga no seu treino de força pro climb).

E por fim, a quinta fase, o “temido” momento Pré-menstrual. Menos progesterona. Mais fadiga. Retenção de líquido (temos chás pra isso). Mudanças de humor? Atividades leves? Ou manter o ritmo e estimular a produção de dopamina, serotonina e os trem tudo que ajudam a diminuir o desconforto dessa fase?

O fato é que tenho aumentado a minha motivação com a escalada de forma a conseguir encaixar física e emocionalmente os meus treinos com o meu ciclo, para que possa fazer sentido e colher frutos. E isso me fez perceber que estou muito conectada emotivamente com as fases da lua mas vivenciando essas etapas de forma descasada com os meus desempenhos físicos e condições biológicas.

Nutri em mim uma vontade imensa de sair do Ciclo da Lua Branca e voltar a ser forte com o Ciclo da Lua Vermelha. Mas fui pega de surpresa por uma maravilhosa Lua Minguante e tenho estado feliz em vivenciar ela mais um pouco. Vou explicar isso melhor em outro texto.

Assim, temos essa fonte inesgotável de informação e conhecimento para trabalharmos nossas conquistas no esporte e entendermos que não existe processo ruim. Não existe ciclo errado ou certo. Existem mudanças, aceitações e escolhas. Existem ferramentas emocionais e físicas que nos ajudam a trilhar caminhos sólidos e felizes em direção ao autoconhecimento. E isso tudo está fortemente ligado com a aceitação do nosso sangrar.

Então, pensa comigo: nesse dia de Lua Nova, começo de ciclo, qual a sua intenção com a escalada? Nesse dia de eclipse, como você se vê escalando nos próximos meses? Quer se preparar para conquistar seus objetivos no climb?

Seja cíclica! Sangra, observa e confia!

Um comentário em “Confia!

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  1. Bom,eu diretamente não menstruo más convivo diretamente com mulheres,desde colegas de trabalho,escalada e até meu amor. De fato,são fases e influênciam até amigos e cônjuges. Mas é preciso respeitar nossos corpos e seguir na constância. Bora mulherada,Go girls,pro alto e avante

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