Cheia Lud

Meu nome é Ludmila. Tenho 31 anos, sendo que há 8 desses descobri o esporte que transformaria minha vida, a escalada, e que essa seria minha maior ferramenta de autoconhecimento e otimização de energia (Taurina, ascendente em Áries e Lua em escorpião).

Aprendi a me conectar e estar presente enquanto escalava, a confiar em mim, a descobrir minhas forças, mas também a entrar em contato com minha sombra, meus piores defeitos, meus medos, personagens e inseguranças. E esse processo não foi e não é fácil. Precisa de muita compaixão e observação.

Nesse caminho, o que a escalada me ensinou mais foi a ser LIVRE.  Me trouxe amigos  que contribuíram diretamente com a minha evolução, me inspiraram, proporcionaram vários outros  conhecimentos agregados ao Climb, como a terapia, o budismo,  a agrofloresta, a permacultura,  o yoga, o tethahealing, o reike, os ancestrais ritualísticos, a ginecologia autônoma e afins. Quando olho pra tudo, poxa, faz sentido. Passei a repensar o consumo, minha produção de lixo, minha forma de me comunicar e me relacionar com o mundo.  Ter paciência, aceitar o fracasso e me entender para assim entender o outro.

Escalando essa VI(D)A tentamos dar nosso melhor, cada um com seu tempo, passando por reglete, abaolado, agarrão, vem queda, vem fracasso, vem choro, vem costurar o topo, vem alívio. Começamos a entender que a dinâmica da vida é que ela é feita de ciclos. A mudança e a impermanência são inerentes à nossa realidade e aceitar a impermanência nos dá o privilégio de poder mudar, transformar.

Comigo não foi diferente. Depois de minguar por um período, de muito questionamento de hábitos, percebi que deveria agir, ir de encontro ao que sempre quis fazer. Soltar quem eu achava que deveria ser para de fato ir de encontro comigo. Quando cheguei ao fundo do poço e estava vazia, abri espaço. Percebi que quanto menos se tem, mais livre se é. Como parte do processo de desapegar, larguei a carreira que tinha em uma empresa de tecnologia, casa, carro e principalmente o medo de ser julgada, que me rondava e me impedia de Ser. Deixei todos aqueles questionamentos de lado: vão me achar louca? A grana vai acabar? O que meus pais vão achar? Quando fui de encontro a quantidade de crenças limitantes que existiam em mim, com autoresponsabilidade, assumi os riscos, tomei as rédeas e com comprometimento entrei em contato comigo, me ouvi, me acolhi, me aceitei e aceitei também o que eu queria. Era escalar, era viver da escalada, era uma vida mais ecológica e menos capitalista.

Tive inúmeras referências e inspirações nessa caminhada. Muitos processos terapêuticos. Vi as infinitas possibilidades que havia no universo. Foram longos sete anos desde o primeiro pensamento “quero morar no cipó” até de fato eu vir. Trabalhando intenções em silêncio e criando planos mirabolantes. Tentei me mudar primeiro pra Pirenopolis, coisa que vinha tentando há 4 anos. Cheguei a pesquisar que negócio abrir. Sempre recuava. Fiz uma investida no ano passado e não era o momento. Ouvi o universo e ele me soprou pros EUA. Depois, em um momento de total black-out, eu me vi na volta pro Brasil com vontade e coragem de ir pro Cipó. Começou com um ano sabático e hoje estou iniciando uma empresa de turismo que tenta unir as práticas que me auxiliram no caminho da escalada: o Yoga, o Highline, caminhadas integradas com meditação. Também trabalho como ”Ranger” no Parque Nacional da Serra do Cipó. Estou construindo o sonho de levar a minha paixão, o Climb, para a maior quantidade de pessoas possível.

Sobre a permacultura, o que vale também pra nós é a qualidade necessária para chegarmos a esses estágios de equilíbrio e plenitude que estão disponíveis. Só falta aceitarmos e confiarmos no fluxo natural, que tudo tem, e reconhecermos todo o nosso potencial. Me vesti de coragem e mergulhei no desconhecido. Desapeguei do passado pra construir algo novo e percebi que essa (DES)construção não tem fim. Precisamos sempre abrir espaço para o outro e também em nós, na nossa história, nos nossos sonhos. Ver que é possível sim e que somos merecedoras(es) de viver aquilo que desejamos. Pede que vem!

Todas as práticas me ensinam a soltar.O tamanho da sua força e da força de uma montanha não cabe em números e letras. Valorize sua caminhada e seu esforço e escute seu coração, por que dele brotam as fontes de toda sabedoria. Afinal o Amor é a resposta. Se você amar de verdade, você sustenta sem medo. Se amar de verdade, vai deixar ir, vai respeitar, vai reconstruir, vai ouvir e vai ser PRESENTE E PRESENÇA.

Tornar-se quem somos já é um ato de resistência.

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