Minha sempre Minguante – Marília

Então vamos lá, beber da mesma fonte. Fico do lado de cá da tela, interagindo com mulheres incríveis que também escalam, buscando estimular nossas palavras, nossa visão de nós mesmas junto ao Climb e, mesmo que virtualmente, tentando nos aproximar em nossos processos e aprendizados.

Não duvide! Somos infinitamente inspiração entre nós!

Mas nesse tempo de blog, não cheguei a me apresentar. Falei sobre isso na Lua Minguante de junho, quando estava em Milho Verde, e agora, novamente minguante em Milho, me sinto aberta a escrever. São as surpresas do espaço e tempo.

Me chamo Marília. Tenho 37 anos. Sou mãe do Pablo, nordestina e out. Simples assim. Agora vamos tentar de trás pra frente.

Sou outdoor. Comecei na corrida em trilhas, acho que em 2012. Logo depois veio a escalada, a navegação, slack, bike e caiaque pra viabilizar a corrida de aventura, e por último mas não menos importante, a Canoa Havaiana.

Já lutei muito pra definir graus de amor entre essas modalidades, mas hoje aceito feliz o fato de querer ser V2 em tudo e de compreender certa ausência de controle no meu desenvolvimento e evolução nesses esportes. Afinal, o que importa é que todos me deixam próxima da mãe terra, me ensinam sobre concentração, limites, ciclos, altos e baixos através das trilhas que vão desenhando quem sou. Se cabe mais alguma modalidade? Certeza que cabe! Mas isso fica pro futuro.

Sobre o Nordeste, sou piauiense. Mudei para Brasília há 25 anos, após a morte do meu pai. Ele foi meu primeiro contato com o esporte, a paixão pelo futebol e quem provavelmente me fez treinar e correr pela primeira vez. Da minha terra e passado carrego determinação que não tem medida e que provavelmente norteia meu caminho.

Sobre ser mãe, tanto pra falar e tão poucas palavras. Do Pablo trago a ferramenta mais profunda de autoconhecimento. Sempre digo que não haverá nesse mundo alguém tão conhecedor de mim. Dentre nossos infinitos processos, a escalada foi um deles. Busquei compartilhar o Climb em nossas vidas, mas no fundo eu queria mesmo era que ele entendesse o movimento, as variações, as mudanças que o corpo e mente vivenciam através do esporte. Já esperei com mais ansiedade por essa nossa conexão. Hoje entendo o músico e artista que ele é e agradeço ao fato de que tudo nessa nossa vida “vai passar”, menos a nossa capacidade de ser 1 e ser 2.

Sobre os 37 anos, já me incomodei com o fato de ter começado tarde nos esportes, com 31… Desses 6 anos de atividades, 5 foram também da escalada. Sempre digo que estou me preparando pra voar aos 40! Gosto de me imaginar correndo até os 90; escalando 6o grau até a morte (PS.: um dia eu volto pras vias); pedalando eu não sei bem… Mas na água e na terra com certeza, em movimento.

Sobre ser Marília, estou bem feliz com o fluir da minha caminhada. Olho pra tudo e pra todos e sou infinitamente grata. Aprendi na escalada a “IsMarilhar” e confesso que estou gostando. É uma mistura de detonar, aprimorar, polir e outros significados mais que o dicionário permite, e ser cada vez mais Eu. Como diria Mateus Aleluia na música Figueira Doce:

Quando eu vim pra esse mundo eu mostrei minha cara, sem marcar bobeira. Cantei o meu canto e fiquei por cá…

E assim eu compartilho um pouco de mais uma mulher que também escala. E abro espaço pra complementar um pouco também sobre o blog e a lua minguante.

Em 2019 tenho exercitado não barrar os processos criativos, por mais bobos que possam parecer. Foi assim com o Des, que veio todo pronto em meus pensamentos, durante um treino de corrida. Foi o resultado claro do meu caminho feminino na escalada e das incríveis mulheres que o Climb me presenteou. Tudo aconteceu de forma leve e natural e sou grata por ter o privilégio de me conectar com Escaladoras de várias regiões do país e melhor ainda, ter algumas horas de exclusividade na leitura dos textos compartilhados aqui.

Sobre a Lua Minguante. Não faço convites para escaladoras nessa fase da lua. Acho pessoal e introspectivo demais pra exercer o compartilhar. Guardo sempre para processos de autocuidado, olhar interno, luz pra dentro do meu Climb e de aprendizados e reavaliações relacionadas ao mesmo. Mas acredito que a força da lua minguante nos permite a maior evolução de todo o ciclo. É como trabalhar suas deficiências na escalada, mandar o boulder antiestilo, cadenar o projeto somente depois de uma boa base de treinos, pegas, betas e graus anteriores. Minguar pode e deve ser lindo!

Um comentário em “Minha sempre Minguante – Marília

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  1. Top demais. Compartilho a dificuldade em querer tantos esportes,sou louco pra voltar pra capoeira e pro caiaque,mas falta tempo,falta corpo,bike climb já tem hora que preciso parar tudo e desbugar o corpo. Lance é ir indo,buscando constância ou em tão vai um pouco de tudo. Tudo é bão,bela minguada Marília.

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