Nova Yana!

Faz tempo que eu recebi o convite para escrever para o Des, lá atrás, quando eu ainda tinha meu sol e um milhão de processos rolando que nem fogueira. Na época eu não entendia nada dessa conexão lunar e para ser sincera eu ainda não entendo muita coisa. Então não tem texto sobre esse mistério de conexão entre nós mulheres e a lua. Esse é mais um recorte de vida. Um dia que eu resolvi escrever sobre muitas coisas.

Me chamo Yana Monteiro, tenho 27 anos e serei eternamente mãe do Noah, uma criatura que transbordou e virou essência, para a gente que ele abraçou e para muitos que ele tocou sem encostar. Eu sou uma vivente da vida, com uma história cheia de alterações, como muita gente que vive por aí anonimamente.

Não, os processos não acabaram, continuam. Tem dias que me consome! Sempre penso neles como a primeira via que eu guiei na minha vida. Lembro dos segundos infinitos da primeira vaca e da eternidade que levei para terminar a via.

Eu fui escaladora. E essa coisa de conjugar o verbo ser no passado, foi um largo caminho para mim. O processo de aceitação que a vida muda é intenso e a própria escalada me ensinou sobre isso. Nossa relação não foi de primeira. A escalada representava muitas quebras de paradigmas. Era uma avalanche de mundos completamente diferentes do meu. Ela me olhou nos olhos, me pegou nas mãos e me conquistou. Eu sou apaixonada pela escalada e por todos os aprendizados, sentimentos, lugares e pessoas que ela me trouxe. Foi um estado de espírito de plenitude quase absoluto. Um mundo que está dentro de mim e me acompanha em todo esse processo que foi deixar, permanecer e agora voltar e reaprender.

Mas sobre a escalada em si, por hora é isso. O presente é de outras escaladas. É de outras formas de viver.

A vida é um processo constante, um movimento constante. Acreditar que temos controle da sucessão de acontecimentos que escrevem nossa história me cheira à ego. Para mim nada é, tudo está. Esse pressuposto fortalece o que eu aprendi escalando, sobre evolução. Evoluir é tirar sua existência do lugar.

Eu me mudei de país e no mesmo momento que decidi não voltar, deixei para trás projetos de vida. Vivi uma fase tão dura, que só não voltei atrás porque a vontade de ficar era maior que a dor de estar longe. No auge do deixar para trás, fui mãe, nasceu um sobrevivente. Uma criança que lutou com unhas e dentes pela vida e que me manteve em regime quase fechado em um hospital, durante exatamente 1 ano, 1 mês e 14 dias. Processo de um milhão e meio de questionamentos, medos, pré conceitos e um mundo inteiro desconhecido. Eu renasci, várias vezes, naqueles 415 dias. Aprendi na raça a confiar outra vez numa equipe inteira de médicos, pediatras e terapeutas. Ouvi diversas vezes que o Noah estava morrendo mas ele voltava e sobrevivia. Eu já não me reconheço mais em quem eu era a poucas horas atrás. Aprendi a ver o outro lado. A enxergar o mundo das necessidades especiais. Vivi a solidão da maternidade e o pesadelo da maternidade especial. Bati o pé mil vezes, com mil Doutores que queriam tomar decisões por mim, numa língua que eu ainda não dominava. Aprendi a valorizar os processos fisiológicos mais simples que eu sou capaz de fazer. A contar com o imprevisível. Entendi que o nosso maior pesadelo, pode ser só um ponto de vista equivocado. Hoje, sem o Noah, tenho um buraco no peito. Que as vezes me transborda e as vezes me inunda. Os 2 lados da moeda que inevitavelmente nós estamos sujeitos, seja qual for a cadena da vida. As vezes penso o quanto estou ruim sem ele e sem minha preocupação exagerada pelo futuro, que nunca vai chegar. Puro egoísmo, já que eu sei que ele anda bem melhor que nessa terra. É só saudade. Apego. Coisa de gente mesmo.

Aceitação, palavra meio comprida, mas que me ensinou muito mais que o próprio aprendizado. Foi preciso aceitar a caminhada, cada pedacinho dela, cada curva. Foi preciso vivenciar, sentir cheiros e sentimentos que não se nomeiam, dores e alegrias que não se descrevem. Sentimentos que muitas vezes a gente nem sabe que é capaz de sentir.

Foi um processo como tudo na vida de cada ser vivente. O tempo conta vida. Exige mais que sobrevivência. E perceber a beleza dessa jornada é aproveitar como se não houvesse amanhã. Para mim o mais incrível de viver. Eu de verdade acredito que na maior parte do tempo eu mergulhei em tudo. Fui fundo. Até com o Noah, que eu muitas vezes resistia. Eu lutei e lutei muito, por ele e por a gente.

Porque no final das contas tudo é sobre ser de verdade. Ser na essência. Ser presente. Ser humano. Entender que a escalada é constante, no muro, na rocha e na vida. O grau, o nível e a exposição é só um ponto de vista que pode te matar ou te fazer vencer um limite! A escolha é sempre sua.

Fotos do insta da @yaanamonteiro.

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