Crescente Regina!

A ideia da Lua Crescente é transformar em ações nossas intenções. E uma das intenções do blog é olhar para o nosso passado, compreender nosso presente e confiar em nosso futuro no esporte. Foi assim que o Des começou, quando escolhemos a Roberta Nunes como nossa primeira Lua Crescente.

Agora é a vez da Regina Machado! 78 anos, carioca de Teresópolis, professora, um dia alpinista e excursionista.

Regina praticou o alpinismo, ela não usa a expressão escalada, dos 16 aos 19 anos, na década de 50. Pro Des ela contou algumas histórias, como quando achou uma foto sua em uma revista da Varig, localizou o fotógrafo e hoje tem emoldurado o registro em sua sala.

Pão de Açúcar. Imagem que retornou pra Regina graças a uma publicação na revista da empresa Varig.

Nos contou sobre a existência de poucas mulheres mas de não considerar isso um problema para o seu desenvolvimento no esporte. Seu interesse pela natureza e por passeios fez com que esse caminho fosse o óbvio.

Pico da Dona Marta – expedição.

A existência dos clubes e centros excursionistas também. Regina fazia parte do Centro Excursionista Morro Azul, de Santa Tereza. Lembrou com carinho das toucas e gorros que fazia com a sigla CEMA.

Publicação de 29 de dezembro de 1961, Correio da Manhã.

O CEMA encerrou suas atividades em dezembro de 1961 mas até hoje tem produtos, ou seriam relíquias, sendo vendidos num mercado virtual. Conosco estarás mais alto!

Publicação sem recorte do comunicado de encerramento do CEMA. Observem a notícia sobre o “coq” do “Broto do Ano”.

E a Regina estava! Sempre escalava com guias muito capacitados e não lembra de nenhum relato de discriminação de gênero. Lembra sim, de muito respeito e de existir um ar de fragilidade em torno das mulheres que fazia com que poucas se aventurassem no alpinismo.

Item do CEMA para venda nos dias atuais.

Mas a Regina… magrinha e ágil! Era por isso que ela considerava ser lembrada pelos escaladores que sempre a convidavam para as expedições.

Piano…

A Regina sim! Não é um piano! Dá pra imaginar como deve ser difícil escalar com um piano… Mas a Regina fala que essa “gíria” era pra geral! Não só mulheres eram pianos, como homens também.

Detalhe das alpargatas aderentes.

E os equipamentos? Menina, compra uma alpargata porque tem corda e a aderência é melhor! Cadeirinha? Faz com a própria corda mesmo, estática né. O rapel, esse era chamado de Comici. Regina não lembra o motivo mas a gente descobriu.

Emílio Comici, escalador italiano.

Emílio Comici foi um importante escalador italiano dos anos 30/40. Começou a era dos 6° graus e defendeu conceitos de estética na escalada como as famosas rotas clássicas de via. Sabe né, aquela linha reta e perfeita pronta pra você escalar! Comici imaginava o caminho que uma gota de água faria do topo à base da montanha.

Rapel no estilo Comici!

A Regina e seus colegas de escalada usavam o termo Comici para o que chamamos de rapel pois essa era uma técnica aprimorada por ele. Emilio usava mosquetão, corda pelos ombros e outros detalhes mais, bem diferente do que fazemos, claro!

Emílio Comici voando no rapel.

Detalhe: Comici faleceu em outubro de 1940, fazendo rapel. Mas dizem que a corda estava desgastada…

É Regina… Tem muita coisa da escalada que a gente não conhece. Muitas ações em luas passadas que nos trouxeram até aqui. E você é uma dessas ações!

Agulha do Diabo.

Você é a certeza da colheita. Não por acaso a maior gratidão foi ouvir, ao fim de nossa conversa, que a escalada foi:

A melhor coisa que eu fiz na minha vida.

Você não “era” boa. Você é ótima!

Fontes e imagens: amigo Google…

http://ges-cmterrassa.blogspot.com/2008/05/el-rappel-o-descenso.html?m=1

Arquivo pessoal da Regina, mãe do João, que conheci através do trabalho voluntário nas trilhas de longo curso.

Os comentários estão encerrados.

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: